Crime foi motivado por disputa financeira e chocou a população; acusadas irão a júri popular
O Ministério Público do Tocantins (MPTO) ofereceu denúncia criminal contra Rejane Mendes da Silva, de 45 anos, e sua irmã, Lindiana Mendes da Silva, pelos crimes que abalaram a cidade de Araguaína no último mês. Rejane, técnica de enfermagem, confessou ter assassinado o empresário José Paulo Couto, de 75 anos, com quem mantinha um relacionamento extraconjugal desde a juventude. Lindiana foi denunciada por participação na ocultação do corpo.
A denúncia foi formalizada em 8 de agosto pelo promotor Daniel José de Oliveira Almeida, da 4ª Promotoria de Justiça de Araguaína, e aceita pela Justiça em 11 de agosto. Rejane responderá por homicídio qualificado (motivo torpe, meio cruel, asfixia e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima), além de furto, adulteração de placa de veículo e ocultação de cadáver. Lindiana foi denunciada por ocultação de cadáver.
O crime e a motivação
As investigações apontam que o crime ocorreu em 9 de julho de 2025, na casa de Rejane, no Setor Parque Sonhos Dourados. O homicídio teria sido motivado pela recusa de José Paulo em continuar pagando as despesas da acusada. Ele custeava aluguel, contas de água, luz e internet, valores entre R$ 1.600 e R$ 1.800 mensais. No entanto, em julho, informou que só poderia repassar R$ 600, o que gerou uma intensa discussão.
Em depoimento, Rejane contou que, após a briga, empurrou o empresário sobre a cama e o amarrou com cordas. Temendo ser denunciada, decidiu matá-lo. Primeiro, atingiu sua garganta com uma faca e continuou desferindo golpes até a vítima perder a consciência. José Paulo ainda pediu ajuda e chegou a afirmar que a perdoaria, mas não foi atendido. Para conter o sangue, Rejane envolveu o pescoço dele com uma sacola.
Após o crime, ela subtraiu pertences do empresário — incluindo joias, relógio e celular —, adulterou a placa do veículo Renault Duster Oroch com fita isolante e pediu a um conhecido que estacionasse o carro em um lote baldio, sem que este soubesse do homicídio.
Participação da irmã e ocultação do corpo
No dia seguinte, 10 de julho, Rejane procurou a irmã Lindiana para ajudá-la a se desfazer do corpo, que estava enrolado em lençóis e um carpete, com mãos e pés amarrados. A princípio, Lindiana se recusou, pedindo que a irmã se entregasse, mas acabou cedendo e ajudando a transportar o cadáver.
As duas colocaram o corpo no carro e o abandonaram sob uma ponte de um córrego na Avenida Frimar, entre o Bairro JK e a TO-222, em Araguaína. O cadáver foi localizado dias depois, após denúncia anônima feita ao 190.
A brutalidade do assassinato e a rapidez na elucidação — apenas quatro dias — causaram grande repercussão na cidade.
Ação do Ministério Público
O MPTO pediu o recebimento da denúncia, a citação das acusadas e a abertura do processo perante o Tribunal do Júri, além do pagamento de indenização à família da vítima.
Para o órgão, há provas suficientes para levar as rés a julgamento popular, considerando a gravidade do caso e as circunstâncias em que o crime foi praticado.




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